sábado, 26 de abril de 2008

A bela acordada



Eu sempre fui aquela menina que adorava escutar estórias de contos-de-fada antes de dormir. Mas, com o passar do tempo, entendi a metáfora do beijo da bela adormecida. O beijo do "príncipe" acorda a princesa para a vida real. "E viveram felizes para sempre", sempre tem um final.

Na minha visão romântica, eu achava que tudo seria tão belo e maravilhoso se tivesse amor. No entanto, há uma misteriosa e deliciosa distância entre um homem e uma mulher. Acho que jamais conseguiremos desvendar este segredo.

Considero que todos os seres humanos nascem iguais, apesar das diferenças anatômicas evidentes e que garantem certas particularidades no modo de pensar e agir. Porém, aprendemos os conceitos de certo e errado quando convivemos em sociedade e vamos moldando nossas mentes e reprimindo os desejos, de acordo com a cultura, as regras morais, a religião ou as expectativas dos outros em relação a nós. E assim, vamos esquecendo até de quem somos. Quando me permiti viver sem culpa e sem medo de ter medo, pude perceber muitos mundos em mim, ainda inexplorados. Temos medo de sentir prazer para não constranger os outros ou até por achar não merecer a plenitude do gozo.

Se as pessoas pudessem viver com mais liberdade sua sexualidade, teríamos um mundo com menos hipocrisia, menos guerras e doenças mentais. Não se trata de uma apologia à promiscuidade e aos bons costumes, mas um manifesto a liberdade de ser e um protesto contra a falsa moralidade. Escrever aqui seria uma pretenciosa tentativa de fazer as belas princesas adormecidas abrirem seus olhos para a realidade e os príncipes encantados deixarem de ser sapos (podem ser um lobo mal...). Nem sempre acordamos com a delicadeza de um beijo, mas com a brutalidade de um tapa na cara.

Não quero mais o encanto fulgaz de uma princesa. Quero ser uma rainha dos meus próprios desejos e mandar no meu reino e no meu rei...

Daqui por diante, contarei algumas de minhas memórias secretas. Talvez não da forma que vivi, mas como lembro agora.

0 confissões: